domingo, 4 de julho de 2010

SINUOSIDADES

.Katia Almeida, Abstracto.
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Lias que a vida
Em sentido pleno
Estava nas coisas simples
Mas passavas
Sempre apressada
Sem tempo para estar
Sem tempo para ver
Em busca de tudo
Em busca de nada.
Procuravas-te
Em pilhas de livros
Conversas de bar
Pinturas criadas
No frenesim das palavras
(Às vezes gemias
Às vezes exultavas)
E com a luz fabricada
Traçavas cenários
A régua e esquadro
Da desejada verdade
Receita volátil
Sem sustentação
Castelos de cartas
Desfeitos no chão.
.
Quanto mais ouvias
Mais depressa passavas
(Paliativo da dor)
E não reparavas
Num brinde à vida do pomar
Na sinfonia dos pessegueiros em flor.
.
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31 comentários:

  1. Um dia vou encontrar as palavras certas para este poema. Um dia, se as conseguir encontrar. Porque as palavras saem dos sentimentos e estes não precisam de régua e esquadro. Às vezes pede-se tão demais a quem se ama, e não nos apercebemos que as flores do pessegueiro antes de nascerem na árvore do pomar, já floriram há muito nalgum jardim.
    Alguém solta borboletas lindas que esvoaçam contentes pelas mãos e olhos do jardineiro, borboletas demais para que ele possa lhes acudir, mas sobretudo, entender, adivinhar o segredo, por isso parece passar a correr, sem ver!
    Um dia, a surpresa, os sonhos que se rasgam e alguém deita fora...
    Para o jardineiro não há perdão...
    Mas ele sabe cuidar do seu jardim, roubaram-lhe as flores, mas esqueceram-se de lhe levar as raízes...
    Afinal acho que estas podem ser as palavras certas...

    Beijo no teu coração.

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  2. Guardo estes versos:
    "E não reparavas
    Num brinde à vida do pomar
    A sinfonia dos pessegueiros em flor."


    Abraço

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  3. Olá, AC.

    Muito obrigada pelo comentário gentil lá no meu blogue.

    Não conhecia seu espaço... que lugar gostoso! Belas poesias e lindas imagens. Parabéns pela sensibilidade.

    Estou seguindo-te.

    Abraços,
    Patrícia Lara

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  4. Agradeço, AC, a visita ao meu blogue. E cá estou para conhecer o seu espaço, que, logo de cara, se mostra belo!
    Abraços,
    Tânia

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  5. lind poema...me fez querer viver mais ainda!

    bjinhus e um otimo domingo..

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  6. Afinal basta viver a vida. Simples como a simplicidade do Ser.
    Para quê tanta azáfama se não se acrescenta nada à vida? Mais uns tostões? Um melhor carro? Um casa com luxo? Ter tudo e não ser ninguém?
    De repente um AVC, ou doença igualmente preocupante e lá vem a questão: - Para quê tanta luta, tão desmesurada ambição? Afinal o mais importante "são os pessegueiros em flor".
    Abraço amigo
    Caldeira

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  7. "Perde-se a vida a desejá-la tanto"
    Muito belo o poema e a imagem

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  8. Também vou guardar os últimos versos!
    Tanta coisa que vamos deixando para trás sem reparar nelas...

    Abraço

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  9. Arranjar tempo para ouvir a "sinfonia dos pessegueiros em flor" já foi um prazer... imagino quando provar o fruto desses pessegueiros! :)

    Bj

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  10. É claro que o comentário anterior foi feito à pressa, de quem não pára para ver e estar ... :)

    O teu poema é lindíssimo. Traçado o cenário de um quotidiano que se repete. Enquanto vamos concretizando as tarefas que destinamos ou nos são destinadas, a vida segue o seu rumo e não espera que paremos para prosseguir. Lamento que tanto haja para ver, para viver e não se abrande o passo ... Fico por aqui.

    Bj

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  11. Castelos por tantas vezes caem, mas tornamos a ergue-los., bjos e linda semana.

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. A pressa de viver como flor sedenta, retira o compasso certo de olhar a vida através das coisas mais simples e, na verdade, é aí que ela se realiza plena na mais profunda das essências.

    Um excelente poema, sem dúvida!

    Um abraço, por todas as palavras. Estas aqui e as outras lá... por ambas me sinto grata.

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  14. Por vezes as incoerências acontecem...

    Abraço

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  15. Palavras onde me revi num outro tempo passado... reli e vou voltar a reler. Obrigado pela partilha...
    Beijo
    Chris

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  16. Esse belo poema fez lembrar uma frase " entre as pequenas coisas que não queremos fazer e as grandes que não podemos fazer, o perigo està em não se fazer nenhuma"
    Gostei do que li, grata pela visita, fique à vontade.

    Beijo
    Fátima

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  17. As pessoas acham louco quem ouve a sinfonia, mas sempre que perguntam seu nome, apenas responde, sou Poeta!

    Lindo!

    Beijos e ótima semana.

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  18. AS PESSOAS APRESSADAS VIVEM TUDO À SUPERFÍCIE ,NÃO PARAM QUIETAS,NÃO ESCUTAM,NÃO ABSORVEM NADA...SEMPRE APRESSADAS ,METIDAS EM PAPELADAS, ATOLADAS NO TRABALHO...NUNCA TÊM TEMPO PARA NADA...E PERDEM O MAIS IMPORTANTE: "A SINFONIA DOS PESSEGUEIROS EM FLOR"

    BEIJO

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  19. Apressada, em busca de tudo, em busca de nada...

    É assim que passamos a vida, AC, infelizmente.Até descobrirmos que as flores do pessegueiro estão murchas, cadentes e não as vimos florir.

    Lindo constatar como vc transforma em versos perfeitos o cotidiano mais banal.

    beijos.

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  20. E por andar sempre distraída, despercebi a riqueza de um olhar! Amei! Linda poesia!

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  21. AC, quanta sensibilidade para perceber o movimento dos que passam com pressa, sem perceber a riqueza das pequenas sinfonias. Lindo teu poema.

    bjs

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  22. Este belo poema fez-me refletir sobre a importancia de deixar de lado a aceleração diária, e olhar em volta para os pequenos grandes nadas, aqui adivinho uma sensibilidade linda! parabéns por ela.
    Bjs

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  23. Que visão maravilhosa
    nos oferece
    o pessegueiro florido...
    é um apelo aos sentidos
    da abelha curiosa
    que percorre as flores
    captando o pólen
    da suave cor rosa.
    À doce sinfonia
    e à bela poesia
    a abelha brinda:
    É linda a vida que emerge do pomar!

    Parabéns Vizinho, gostei muito! (agora é tempo de saborear os deliciosos frutos do pessegueiro :)
    Obrigada pelo carinho...BEIJINHO!

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  24. Bom texto
    Que o sussurrar do vento te deixe plena.

    bjs
    Insana

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  25. Muitas vezes a vida parece-nos tão cheia, mas não deixamos de nos perguntar porque continuamos vazios. Penso haver neste versos uma resposta provável.

    L.B.

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  26. Se escreves sobre flores, pessegueiros e almas, então já tens lugar definitivo entre as estrelas!!!!
    Lindo poema, AC!
    Assim, com tantos elogios, não está na hora de um livro?

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  27. AC,

    Sei que não escreveu estas palavras para mim, mas elas foram tudo o que eu precisava que alguém me dissesse. Obrigada!

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  28. É a vida lá, todinha explodindo em brotos. Peca e perde quem só tem olhos pro seu próprio umbigo.

    Compartilhamos esse brinde dos pêssegos! Sinta o cheiro... ;)

    Lindíssimo!

    Beijo, beijo

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  29. quem tem pressa, quem stressa, quem se enche de si, não pode ter olhos para a vida no 'pomar':

    "E não reparavas
    Num brinde à vida do pomar
    Na sinfonia dos pessegueiros em flor."

    beijo

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  30. "Passamos pelas coisas sem as ver...
    ...Se alguém chama por nós não respondemos,
    Se alguém nos pede amor não estremecemos..."
    Eugénio de Andrade

    É urgente, é imperioso, olhar os pessegueiros em flor.
    Lindo poema!
    Beijinhos

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