quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O BILHETE

..
.
Júlio olhava pela janela. Em frente, na pastelaria, algumas pessoas tomavam a bica ao balcão a olhar para o relógio. Na esplanada, indiferente à pressa geral, um casalinho gozava os raios de sol de um Verão tardio, enquanto deitava uns grãos de trigo a meia dúzia de pombos. Mais à direita, no jardim, viam-se alguns velhos, de sorriso apagado, a olhar para nenhures, como se as pessoas que por ali passavam, qual enxame de abelhas apressadas, nada lhes dissesse. Andavam quase todos na casa dos setenta e tais, oitenta, e já pouco mais faziam que olhar para o escoar do tempo.
Às vezes Júlio abeirava-se deles e, com a sua presença, o pulsar do grupo alterava-se. Contava uma história engraçada de outros tempos, dizia duas ou três larachas, e o efeito era garantido: os sorrisos voltavam, por momentos, a introduzir-se naquela solidão mortiça.
Joana, a filha, fora visitá-lo um dia destes à hora do almoço, cinco minutos roubados ao seu correrio diário, antes de ir preparar a comida que ela e o marido iriam engolir num ápice. Perguntou-lhe como é que se sentia, se tinha tomado os medicamentos, se precisava de alguma coisa. Depois, a propósito de nada, começou a falar do Sousa, amigo de sempre do pai, que estava há uns tempos no lar.
- Sabe com quem estive? Com a Dora, a filha do seu amigo Sousa. Está a viver no lar, e parece que o tratam lá muito bem.
Nem ele sabia outra coisa! Há dias, em conversa de banco de jardim, o João Pires falara-lhe do destino do Sousa. A notícia tocara-o e, sem dizer nada a ninguém, fora visitar o seu velho amigo ao lar. Quando o viu, arrependeu-se logo de lá ter ido. Estava sentado na varanda, sozinho, completamente alheado de tudo o que o rodeava. Ainda lhe puxou pelo sorriso com uma ou outra graçola, mas o Sousa, que noutros tempos distribuíra entusiasmo a rodos, mostrava-se indiferente a tudo. Parecia que apenas aguardava que chegasse a sua hora.
Joana estava, nitidamente, pouco à vontade a aflorar o assunto, e tentou dissimulá-lo começando a lavar a pouca loiça do pequeno-almoço. Nem reparou que o pai já a tinha lavado, deixando-a apenas a escorrer no lava-loiças. Então disse-lhe que estava preocupada com ele, que não gostava de o ver sozinho. E se lhe acontecesse alguma coisa, quem o socorria? Gostaria muito de o levar para o andar onde vivia, mas as três assoalhadas já eram acanhadas para ela, o marido e os filhos. Na semana passada fora tirar umas informações da Casa de Repouso do Pinheiro, e gostara do que tinha apurado. Era um lugar onde tratavam as pessoas com toda a dignidade, o sítio ideal para ele.
Júlio não disse nada, apenas balbuciou um "está bem" quando a filha, à saída, o lembrou do almoço de domingo em casa dela. A conversa de Joana, no fundo, não o surpreendia, pois sabia que ela não tinha condições para o receber. Ela e o marido matavam-se a trabalhar, com um horário cada vez mais exigente, e o que recebiam mal dava para pagarem a prestação da casa. Houve uma altura em que pensou que talvez lhe arranjassem um cantito na sala para dormir, mas era ele a iludir-se com a possibilidade de acompanhar o crescimento dos netos, de os sentar nos joelhos enquanto os maravilhava com as aventuras do João Pequeno, história que o seu avô lhe contara vezes sem conta na sua meninice. Mas os tempos tinham mudado. Ao que sabia, os pequenos passavam o dia fechados no infantário, no meio de dezenas de outros reclusos, e só lhes concediam uma precária quando os pais os iam buscar no fim do trabalho. Mas pouco aproveitavam do seu quinhão de liberdade. Quando chegavam a casa, os pais colocavam-nos em frente da televisão enquanto faziam o jantar. Depois comiam e, passado pouco tempo, toca a deitar, que amanhã é preciso levantar cedo. E no dia seguinte, num ritual sempre igual, lá iam todos para o mesmo ramerrame. Tinha pena deles, mas que poderia fazer? Raio de tempos, estes!
Depois da filha sair Júlio ficou mergulhado num turbilhão de pensamentos inconsequentes. As suas palavras, embora não o apanhassem desprevenido, tocaram-no como nunca pensara. Começou a dar voltas à casa, tentando ordenar ideias, mas a sensação de aperto não saía do seu peito.
Foi então que tomou uma decisão. Ainda pegou numas roupas para colocar na mala que guardava no roupeiro, mas abandonou a ideia. Dirigiu-se para a cómoda e, com todo o cuidado, retirou um estojo do fundo de uma das gavetas. Abriu-o, delicadamente, e olhou para o colar que em tempos tinha comprado para Maria, a sua mulher, pequeno luxo a que se permitira para presentear a companheira de muitas vicissitudes e alegrias. Mas ela morrera, em penoso sofrimento, uns dias antes do aniversário, vítima de um cancro de mama tardiamente diagnosticado, e o colar para ali ficara guardado como uma relíquia.
Tomou banho, perfumou-se e vestiu o seu melhor fato. Depois, delicadamente, pegou no estojo, guardou-o no bolso interior do casaco e saiu de casa.
Desceu a avenida muito direito e compenetrado, como se estivesse a escolher os movimentos certos para não engelhar o fato. Mas, ao chegar junto da estação ferroviária, algo o fez vacilar. Parou, por instantes, e ensaiou um olhar para trás. Mas foi coisa de poucos segundos. Recompôs-se rapidamente e, de forma resoluta, abeirou-se da bilheteira:
- Um bilhete para longe, para muito longe!
Quando entrou na carruagem tirou o casaco e sentou-se. Enquanto o ajeitava, cuidadosamente, sobre as pernas, levou a mão mais uma vez ao estojo, como se para se certificar que continuava no mesmo lugar. Maria aguardava-o, e não queria fazê-la esperar mais.
.
.
.
reedição
.

78 comentários:

  1. Nossa! Fiquei sem palavras...Que lindo!
    Amei do começo ao fim.

    Beijinho.

    Fernanda.

    ResponderEliminar
  2. Flutuei até aqui para...
    agradecer...
    a sua presença...
    em meu Nat King Cole...
    Beijos...musicais...
    Leca

    ResponderEliminar
  3. A vida real é tirana! Nós somos obrigados a ser tiranos muitas vezes, pelas circunstâncias que ela nos impõe.

    Que história mais linda, ainda que um tanto melancólica. Gostei demais de ler você. Acho que embarquei nessa carruagem ao lado de Júlio, para que o mesmo não se sentisse tão só.

    Beijos, boa quinta-feira.

    ResponderEliminar
  4. gostei da maneira como vc escreve...muito literária mesmo.

    ResponderEliminar
  5. queridas amigas e amigos......
    hoje não poderei ler nada estou debilitada

    Obrigado pelo carinho,
    fico feliz quando passa
    por aqui...

    um bom dia
    abços e bjos.

    ResponderEliminar
  6. Tudo muito bem descrito e contado, achei até que tinha visto algum dos personagens, que já o conhecia de algum lugar... Transportei-me para lá e aqui estou a ouvir o barulho da carruagem de tuas palavras, do lado de dentro...rs

    PS:Fiz retoques no novo texto, da uma olhada se possível!

    Abraços no coração!

    ResponderEliminar
  7. AC ,
    os seus desfechos como que inesperados , mas mais que " naturais " , encantam-me , porque são ditos , ou melhor escritos , tão subtilmente .
    Este á um deles .
    Gostava de um dia ser capaz de fazer o mesmo. Comprar o mesmo bilhete .
    Um beijo ,
    Maria

    ResponderEliminar
  8. Mudam-se os tempos e as circunstâncias. Hoje nasce-se na "reclusão" das creches e infantários e morre-se na "reclusão" dos lares.
    As condições sócio-económicas foram completamente alteradas e, na maior parte das vezes para pior. Os conceitos e práticas de família deteriorarm-se e os "velhos", autênticas bibliotecas vivas do passado, viraram descartáveis.
    Ir sem destino até à etapa final será uma boa solução. Talvez seja bom tirar bilhete.
    Um forte abraço.
    Caldeira

    ResponderEliminar
  9. AC
    Não sei se reparou mas, no meu blog, no lado direito, tenho uma foto de uma senhora idosa, com o titulo "os desenhos da Carlota". Clicando nele abre-se um slidshow onde os mesmos podem ser observados em pormenor. A Carlota é minha mãe, tem 87 anos, vive num lar onde a visito regularmente dando-lhe e levando-lhe mimos de tudo o que ela mais gosta. Passo tardes com ela desenvolvendo actividades tal como desenho, leitura, escrita e jogos vários, na tentativa de manter acesa a chama que a prende à vida. Não é fácil, ela, que está acamada e completamente dependente de uma cadeira de rodas para se movimentar, necessitando constantemente de apoio de pessoal especializado e de instalações adequadas, sente-se enclausurada. Sei que, seguramente, se pudesse, viajaria com o Júlio.

    A sua descrição, por tão realista, deixou-me despedaçada.

    Beijos amigos
    MariaIvone

    ResponderEliminar
  10. Uma história real e comum na maioria das famílias, mas poderia ser diferente, independente do tamanho do lar, levaria meu pai a viver comigo e minha fámilia mesmo que tivesse que dormir num cochão no meio da sala. Que importânciaa teria isso diante da presença do avô na vida dos netos.

    ResponderEliminar
  11. Comovente e ele prefere ir embora a viver num abrigo. Triste, mas com gosto de liberdade.

    Bjs*

    ResponderEliminar
  12. Oh AC, isto não se faz amigo, não assim..., tão desprevenidamente!...

    Beijos meus, num abraço!

    ResponderEliminar
  13. Também acho que adquirir sabedoria é a luta de uma vida inteira, meu amigo... Acho que somos eternos aprendizes. Só paramos de aprender quando damos o último suspiro nesta vida. E, depois disso, vêm outros aprendizados...

    O que nos resta é tentar, a cada instante, aprender algo sublime e guardar isso dentro dos nossos corações por toda a eternidade...

    Bju!

    ResponderEliminar
  14. Encantada... é como me sinto com teu texto!

    ResponderEliminar
  15. Olá AC!

    A história que conta é pungente, tocante, e infelizmente, cada vez mais actual - abrangendo um cada vez maior número de pessoas - de nós.
    Nem tudo o que na vida muda, muda para melhor, e quando se ganha num lado perde-se no outro. E o "ganho" conseguido nalguns aspectos da vida que hoje vivemos trouxe um novo lado, o da perda imensa que é ter-se perdido a proximidade entre gerações, e sobretudo a falta de tempo para os mais velhos.Aos mais novos não sobra muitas vezes nem tempo nem espaço para eles, e eles, agora mais novos, também serão velhos, e os mais novos de então também para eles não encontrarão espaço. O nosso modo de vida trouxe-nos para aqui ... e daqui não vamos conseguir sair.É triste, muito, mas é a realidade que assim o dita.E para alguns,o "tirar bilhete" surge como um chamamento a que não conseguem dizer não.

    Um abraço.
    Vitor

    ResponderEliminar
  16. ola ac
    muito obrigada seus comentarios sempre muito carinhoso
    abraço

    ResponderEliminar
  17. Lídia Borges disse...

    A sua escrita é plena de encanto.
    Realço a intensidade posta nesta belíssima narrativa que sem cair em sentimentalismos banais exalta o sentimento. E...
    Deixa o leitor a pensar!

    Um beijo

    ResponderEliminar
  18. Também passei por aqui para retirbuir sua visita e adorei cada texto. Muito bem redigidos. = )

    ResponderEliminar
  19. Oi...vc me comove demais com seus textos!

    Me surpreende....me encanta....me faz viajar....


    bjos!!!!

    Zil

    ResponderEliminar
  20. Realmente intenso e perfeito.

    bjs
    Insana

    ResponderEliminar
  21. AC,
    o seu conto pode ser ficcionado ou baseado em factos reais, mas que é tocante, é. Gostei particularmente da parte em que compara os infantários, a outro tipo de estabelecimentos.
    Considero uma genealidade, saber quando é a nossa altura de parar...ou de partir!
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  22. Voce me emocionou com seu texto AC.
    A realidade e' dura e voce narrou com extrema delicadeza.
    Sou contra abrigos, e' "frio" abandonar entes queridos la, mesmo que marquem presença constante.
    Mesmo que seja em um cantinho, temos que acolher quem nos criou.

    Beijos.

    ResponderEliminar
  23. Chorei, mergulhei profundamente nesta história! Tem continuação?
    Beijos fraternos!

    ResponderEliminar
  24. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  25. Oii...td jóia?
    Dei uma passadinha pra espiar, comentar e dizer que tem um selinho lá no meu blog pra ti!
    passa lá...bjinho!

    www.falarfrancamente.blogspot.com

    ResponderEliminar
  26. Obrigada pela visita ..
    e ao retribuir, dei de cara com um blog maravilhoso: o seu.
    parabéns.
    belos poemas e textos.

    ResponderEliminar
  27. acho que houve um estalo quando levou as mãos ao estojo, algo que só os grandes escritores conseguem exprimir em pequenos acontecimentos numa narrativa muito boa. :)

    Beijos

    ResponderEliminar
  28. Olha eu aqui outra vez :))
    Venho dar-te outro beijo e dizer-te que tem selinho p'ra ti aqui:

    http://meusamigosseusmimosmeusencantos.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  29. AC,
    Parabéns!
    Seus textos prendem-me de principio ao fim!
    A realidade escrita magistralmente!
    No lugar do Júlio também tiraria o bilhete e se possivel, por uma vez, em primeira classe...

    Bjs dos Alpes

    ResponderEliminar
  30. AC, os dilemas que aborda são tão realistas quanto pungentes. É claro que o mesmo problema pode ter múltiplas soluções e até a mesma solução pode ser vivida de múltiplas formas. Um final em aberto é também uma frincha para a imaginação de múltiplos desfechos. Gosto de pensar que para o Júlio, como para tantos outros, acabou por ser feliz :)

    ResponderEliminar
  31. Estou vivendo esta situação com o meu padrasto internado em uma clinica geriátrica.
    É triste, muito triste... :(
    Aquele conto lá do blog é autobiográfico sim, com algumas modificações, mas era segredo,rsrsrs
    Beijos

    ResponderEliminar
  32. Escrita perfeita, com estilo: sinto-me íntima dos personagens... Parabéns!

    ResponderEliminar
  33. Sua maneira de narrar nos prende ao texto. Carinhosamente Óleo.

    ResponderEliminar
  34. AC, como sempre, uma história muito bem contada aqui nos deixa, convidando todos à reflexão.
    Um abraço
    PS: respondendo à sua questão, eu só estive um dia em Moçambique, na então Lourenço Marques, na minha viagem para Timor, em serviço militar.

    ResponderEliminar
  35. AC, como vai?
    Me concentro muito nesse fato de vivermos cada vez mais programados; trabalho, creche, casa, familia, tv e depois tudo se repete. Isso definitivamente não é viver. Seu texto aborda (ao meu ver( esse tema, aliado ao abandono que desperdiçamos aos nossos idosos. Penso: Será que realmente não podemos fazer melhor que isso?
    Eu particularmente, optei por cuidar de meus sogros idosos, meus filhos nunca foram a uma creche. Me nego a seguir uma cartilha, para mim e minha familia; cada dia tem que ter sabor... Somos sal nesse planeta. Não podemos simplesmente viver, temos que Ser!
    Adorei o texto e seu estilo...
    Abraço!

    ResponderEliminar
  36. Intensidade que prende do começo ao fim!

    ResponderEliminar
  37. Os aspectos negativos da sociedade em que vivemos narrados com maestria e estilo!
    Foi um praze de o ler. Parabéns!

    ***
    Um beijo e um feliz fim de semana*******

    ResponderEliminar
  38. Obrigada, querido amigo, pelo teu carinho no meu canto!
    Beijos!

    ResponderEliminar
  39. Um conto que demonstra de uma maneira directa e objectiva o que é a solidão da velhice e uma sua ideia libertadora de tudo o que a rodeia.
    Jorge Manuel Brasil Mesquita
    Lisboa, 27/08/2010

    ResponderEliminar
  40. És sobretudo, um filósofo! O que escreves, seja
    em prosa ou em versos, sempre me remetem a reflexões profundas, ao humano e transitório
    existir...!?

    Beijos

    ResponderEliminar
  41. do tempo que não temos
    do espaço que fazemos encolher

    não fica apenas a perda do João Pequeno

    mas de tudo o que a vida tem de vida
    e nos torna dignos de viver!

    dos bilhetes de ida
    choramos a volta e a revolta de um modelo desumano

    de uma escala menor
    de uma pobreza maior

    ...e há um Júlio em cada um de nós...

    obrigada AC!

    um beijo

    manuela

    ResponderEliminar
  42. Nossa, que história linda!

    Não há como não se identificar com tuas palavras!

    beijos.

    ResponderEliminar
  43. Que história mais linda!
    Obrigada por me mostrar!
    Já coloquei como minha favorita e a hora que eu descobrir como ser sua seguidora, vou ser.
    E fico honrada, porque só escrevo minhas verdades em rascunho. Agora o Ferreira é um talento e voce, maravilhosa !
    Fomos em Portugal no aniversário de mamae dia 20 de abril em Fátima. Ela tem 79 anos e o ano que vem quer passar na Suiça, mas está em duvida.
    Com muito carinho
    Monica

    ResponderEliminar
  44. Olá!

    Muito obrigado por tamanha delicadeza... O meu coração agradece emocionado! Tanto que agora estou aqui contigo... Tudo lindo aqui!

    Luz e paz!

    ResponderEliminar
  45. .

    . ac .

    . posso re.dizer a manuela baptista na íntegra? .

    . e ser mais um Júlio também? .

    . então vou tomar banho, perfumar.me e vestir.me, para Lhe dar o abraço que merece! .

    . :) .

    . um bom.fim.de.semana .

    .

    . paulo .

    .

    ResponderEliminar
  46. Intenço...e surpreendente este teu texto...Gostei...:)
    Beijo d'anjo e bom fim de semana

    ResponderEliminar
  47. Estou comovida diante desse lindo conto que nos pega pelo coração.Lindo!Adorei te ler! um grande abraço e quero voltar!chica

    ResponderEliminar
  48. Boa noite AC,
    o corre corre a que a vida hoje nos obriga, deixa-nos muitas vezes impossibilitados de prestar atenção e tratar com carinho aqueles que mais amamos.
    Pessoalmente sou contra pôr quem nos deu a vida num lar, já não tenho Pai mas a minha Mãe está comigo. Contudo sei bem que há quem não o possa fazer.

    Beijinhos,
    Ana Martins
    Ave Sem Asas

    ResponderEliminar
  49. Sempre fui contra esses "lares". Minha mãe, por problemas de saúde, está morando conosco há três meses. Mas não é nada fácil, posso garantir!
    Beijinhos, muitos!

    ResponderEliminar
  50. Olá AC,

    Já havia passado por aqui e tenho andado consigo no pensamento, porque há algum tempo lhe devo um agradecimento pela sua presença no meu sítio, que me apanhou em período complicado de disponibilidade, apenas tenho passado por dois ou três amigos comuns, de há muito e muito queridos e onde o vou vendo.

    Li a sua história que fala de uma realidade triste e de uma sociedade doente onde existe um círculo vicioso, que vai desde as empresas que impoem cada vez mais regras difíceis às pessoas, que lhes roubam a dignidade e a possibilidade de terem tempo para a sua vida particular, até muitas vezes ao egoísmo da própria família, uma sociedade onde todos ficam doentes, crianças, novos e velhos.
    Cabe-nos a todos tentar inverter este círculo e criar uma onda de amor capaz de romper esta corrente negativa.

    Parabéns por um texto tão bonito e tão bem escrito.

    Deixo um abraço.
    Branca

    ResponderEliminar
  51. Querido AC...

    Estive aqui três vezes antes desta.Todas com um nó na garganta, porque gostaria que fosse só mais um texto imperdível criado por você.

    Infelizmente, não é. A longevidade é aterradora, porque a solidão de quem a vive é a de quem vê o vazio, adainte de si.

    A sua história tem um final imprevível, porque é uma saída para os que não a tem.

    Meu amigo...esse texto é pura dor.Lindo, mas dor.

    Beijos.

    ResponderEliminar
  52. Belo pedaço de prosa aberta à imaginação de cada um!:)
    Bom fim-de-semana!

    ResponderEliminar
  53. Estilo com fluência e segurança. Muito bom mesmo.

    ResponderEliminar
  54. Obrigada AC, e que o seu final de semana seja MARAVILHOSO!
    Beijos em teu coração!

    ResponderEliminar
  55. Encontrei muitos amigos por aqui, e muita profundidade no que li.
    Um abraço forte!

    ResponderEliminar
  56. "Raio de tempos, estes!" digo eu também!...

    Mal, muito mal vamos... a família não tem tempo para os seus, nem para os filhos, quanto mais para os pais. Muitos são despejados para ali, outros acabam por ir de livre vontade porque não têm outro remédio, outros pensam em acabar com avida mais cedo para não darem trabalho aos filhos ou por serem violentados a sair do seu ninho. Ainda bem que existem Lares e Centros de Dia, e outras respostas sociais para suprir as carências que a família deixa, mas melhor era que a família fosse verdadeiramente família e que pudesse bastar aos seus.

    Obrigada!
    Bom fim de semana

    ResponderEliminar
  57. Meu Deus! AC
    Fizeste-me chorar, que lindo esse texto.
    Das muitas frases desse texto que me emocionou, também. Está o “pequeno almoço” o café da manhã aqui para nós. Ouvia de uma amiga portuguesa que fiz amizade, nos falávamos sempre e ela para mim foi uma mãe. Senti saudades.
    E esse texto tão bonito que mais parece mágico de tanta beleza.

    Beijo.
    Fernanda.

    ResponderEliminar
  58. AC, nem a propósito, acabei de fazer um coment no Lua, exactamente sobre a confusão e a exigência a que a sociedade se encontra hoje em dia. Os papeis sociais diluiram-se, o dia-a-dia é pesaroso e duro muitas das vezes... não sendo razão, como é óbvio para o abandono total dos idosos.
    Na maioria dos casos a chegada de um idoso a um lar, é um choque para ele, há um abatimento interior visível. Se a família o acompanha nesta adaptação, torna-se mais fácil, embora de igual forma difícil mas em alguns casos possível, o aceitar da situação com a integração em actividades e valorização do idoso como pessoa ainda muito válida de experiências e sabedoria.
    De resto AC, adorei o conto, Lindíssimo!!!
    Beijinho

    ResponderEliminar
  59. AC,
    comovente....
    lindo tudo que os amigos aqui deixaram..

    Beijos na alma e abençoado fim de semana!

    ResponderEliminar
  60. Agostinho, voltei, querido amigo.Acho que o seu blog merece o selo de qualidade.E que de leitores, meu Deus!!! Como fico feliz.

    Um forte abraço.

    ResponderEliminar
  61. Desfecho inesperado num texto que capta a atenção do princípio ao fim !
    Gostei de o ler ... e da forma como termina! Nunca é tarde para se dar um novo destino à vida!
    Um beijo para ti *

    ResponderEliminar
  62. AC

    Extraordinário texto!!!
    A temática, a rasar o meu olhar de todos os dias, sobre as gentes e as coisas e nós nelas. Deliciosamente escrito, a provocar aquele arrepio, tão necessário, na consciência; na individual e na colectiva....

    Parabéns, muitos parabéns mesmo!
    Um beijinho

    ResponderEliminar
  63. Obrigado pela passagem lá no blog, pena! só faltou o comentário

    abraço

    ResponderEliminar
  64. Uma história tão real e comovente!
    Bjs

    ResponderEliminar
  65. Nossa AC, que lindo, construído de maneira primorosa , do princípio ao fim. Me emocionei. Ando numa labilidade emocional, ultimamente...

    Parabéns, amigo escritor e poeta sensível.
    Muito lindo!

    Um beijo

    ResponderEliminar
  66. Gostei muito de ler voce AC
    uma leitura gostosa , os detalhes, o ritual , tudo perfeito.
    Parabéns meu escritor!

    deixo abraços

    ResponderEliminar
  67. AC, se soubesse... As pessoas são tão egoístas e ingratas, não é? É velho, é doente, pontapé com ele para dentro de um "lar"! Enfim... Pelo menos não deverão surpreender-se muito quando lhes fizerem o mesmo!
    Abraço e obrigada!
    Madalena

    ResponderEliminar
  68. Oi,
    Que bom que gostou do meu Blog...
    Obrigada por me desejar boa sorte, isto significa que devo ter o dom, rsrs
    Li seu texto do inicio ao fim com a maior tranquilidade para apreciar as palavras diferentes em que foi usadas.Maravilhoso e tocante!
    Senti vontade de amparar Julio, traze-lo pra minha casa e cuidar dele como ele desejava e a filha nao podia, ou era egoista, sei lah...
    Sabe a vida sim é dura, e as vezes amparar alguem nas condiçoes em que muitos estao sei que deve ser dificil, mas era o pai dela, e por ser de idade nao é que daria despesa, daria trabalho talvez, por modificar as atitudes em que ela acostumou a viver, mas tudo na vida tem soluçao, e procurar se ajustar no meio em que vivemos e readaptar faz parte da vida, entao eu penso que ela poderia sim ter feito mais em vez de ficar so falando de estar preocupada com ele sozinho...
    E agora colocando isto no real, onde é que foi parar este ser? Se sentiu tao desprezado que procurou desaparecer até o momento de sua morte.
    Nao é justo!Ele cuidou dela quando criança com tanto carinho... E' isto que o texto nos faz imaginar. Este texto é profundo demais!
    Eu convivi com meu avo no fim da vida dele, ele tambem perdeu a esposa e ficou tao solitario mas lucido como Julio, e a diferença foi que minha mae de tanto insistir com ele conseguiu que ele viesse viver conosco, e posso dizer que foi os momentos mais gloriosos que vivi com ele.
    Minh mae era apaosentada e pode cuidar dele, tinha dificuldades no caminhar, e quando faleceu foi uma parada cardiaca, tivemos de leva-lo ao hospital mas ele nao queria ir, porque sabia que tinha chegado o fim, como realmente foi...
    A gente nao pode estar do lado dele somente neste momento, e até hoje me vem na cabeça que ele queria a gente por perto.
    So nao me sinto culpada, porque eu pensei que ele indo ao hospital poderia se recurar e voltar para perto de nos, ms nao foi assim...

    ResponderEliminar