sábado, 4 de fevereiro de 2012

APELOS, HORIZONTES E OUTRAS COISAS QUE TAIS

.
António Tapadinhas, A Cidade do Sol
.
.
.
A tua alma sempre foi enorme, nem tu sabias da sua dimensão. De tal forma que, apesar dos receios, ela extravasava, insinuava-se para lá do teu pequeno mundo inicial. Sentias o seu respirar, é verdade, mas as histórias da lareira adormeciam esse apelo, qual feitiço tecido em tapetes de segurança. Apesar dos sinais, muitas vezes à flor da pele, ias resistindo.
Um dia partiste, mas uma parte de ti ficou. E, apesar das lutas interiores, alimentadas pelas promessas de novos horizontes, o teu ecrã teimava em filtrar cenários, confundindo amarras com liberdade.
Esbracejaste, socaste no ar, ressacaste. E começaste, com o que te restava, a ler a tua alma.
Ainda falas da lareira, mas já percebeste que a ternura não se confunde com a liberdade. Poderão ser complementares, mas vivem em dimensões diferentes, e a liberdade, por mais desejada, exige um preço para lá das vontades.
Quando começaste a subir a montanha, a beber das suas entranhas, sentiste que algo mudara em ti. Lembrarás sempre, com ternura, as histórias da lareira, mas a partir daqui tudo dependerá do vigor do teu voo. Seja lá o que isso for.
.
.
.

81 comentários:

  1. Há que não se temer o preço, ou não correr o risco de querer ser. Belíssimos texto.

    Beijos

    ResponderEliminar
  2. Muito linda tua mensagem,mais uma vez!abração, agora sabor cidade FORNO,,rs chica

    ResponderEliminar
  3. Aquele que caminha jamais volta a estrada de partida. Para os romani não existem casas, existem estradas, para além das montanhas.

    bjs das cozinheiras.

    ResponderEliminar
  4. cuidar do que resta, por vezes, é o único caminho. como é bom quando a liberdade alimenta a ternura e a ternura alimenta a liberdade!

    belo texto!

    abraço!!

    ResponderEliminar
  5. Preço, muitas vezes, difícil de pagar...
    Um bj

    ResponderEliminar
  6. Às vezes partir não é a liberdade.
    E às vezes ficar não é a liberdade.
    Primeiro temos que entender a nossa alma.
    Quem parte quebra amarras que não voltam a ser.
    Partir, às vezes, vale a pena?

    ResponderEliminar
  7. A pintura escolhida é muito linda.
    Luminosa.

    ResponderEliminar
  8. E quando não conhecemos a alma....
    não nos conhecemos, perdemo-nos e não sabemos se devemos partir....
    Mas, se ficarmos e vivermos intensamente o que temos, a alma terá paz....
    Brilhante...
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  9. Haja cordilheira a se pagar!!
    Bonito, bonito :)
    beijoss

    ResponderEliminar
  10. Essas nossas almas a buscar liberdade...
    A alçar voos por horizontes que descreves sempre com intensidade ímpar, AC.
    Mais um texto no qual mergulhei.
    Delicioso!
    Beijo!!!

    ResponderEliminar
  11. liberdade...está dentro de nós..
    sempre..
    lindo escrito querido..
    beijos perfumados..

    ResponderEliminar
  12. AC,querido amigo-poeta,
    Voar dói e o chão é fatal. Eu ainda prefiro as arranhaduras das asas.
    Maravilho esse post!
    Bj imenso

    ResponderEliminar
  13. Em volta da lareira existe todos os sonhos de vôos livres mas nem sempre os ventos do litoral são aliados.

    ResponderEliminar
  14. Muito oportuna, esta reflexão!

    Há um mundo para calcorrear, para desvendar, mas isso significa arriscar, perder o pé, partir.
    No regresso, não seremos os mesmos, mas as nossas raízes permanecerão vivas a alimentarem o calor, a ternura de um serão-antigo à lareira.

    Um beijo

    ResponderEliminar
  15. Olá, sábio amigo AC!
    Não podemos nos submeter às amarras de nossos medos e limitação, mas nos soltarmos que seja em pensamento, sonhos e imaginação.
    Teu texto é mais uma maravilhosa tela colorida com a beleza das metáforas.

    Parabéns pelo alumbramento!

    Abraços do amigo de além-mar e ótimo fim de semana para ti e tua família!

    ResponderEliminar
  16. Da lareira, o calor, a segurança.Ao iniciar-se o voo há o desconhecido... e forças são precisas para continuar e realizar os sonhos.

    Belo texto.

    Abraço

    Olinda

    ResponderEliminar
  17. AC tua escrita é sempre algo que me faz refletir, algo que toca e quer transformar. Teu estilo de narrativa é tão belo, verdadeira arte. beijos

    ResponderEliminar
  18. Já conhecia esta pintura maravilhosa do nosso amigo A.Tapadinhas que tive o maior prazer em conhecer pessoalmente e estar de novo com ele no passado sábado.

    Adorei o texto!
    Excelente reflexão sempre e para os tempos actuais.
    Existem amarras que se podem soltar mesmo que sejam apenas em pensamento.

    Beijinho e uma flor

    ResponderEliminar
  19. o vigor do voo: ápice, cume, vértice




    abraço

    ResponderEliminar
  20. "A tua alma sempre foi enorme, nem tu sabias da sua dimensão.(...) um dia partiste, mas uma parte de ti ficou."

    A lareira? Ah, essas histórias com odor a café... A. Tapadinhas me levou a esses lugares...

    "Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu ? "

    Meu caro, isto parece não fazer sentido? Pois é... mas obrigado por me fazer ter lembrado

    ResponderEliminar
  21. Talvez esse seja o problema : desconhecer o tamanho e a intensidade da nossa alma. Porém, se os descobrimos, o voo pode mudar de direção.
    Não há limites para a conquista do que se deseja.

    Beijo, AC.

    ResponderEliminar
  22. As sombras chegam, os ventos mudam de direção, pode ser favorável ou não. A decisão é do tempo enquanto forças de asas se preparam rasteiras para o voo mais alto sobrepondo a ilusão...
    Se existem limites, fica a decisão da vontade, ultrapassa-los a atingir a razão... O que se era ontem não se deixa de ser, se aguarda apenas o testemunho da voracidade... O que faz jus é os ventos soprarem favorecendo a direção... Pode-se fazer a viagem, mas antes matar a sede e a fome para se fortalecer no caminho...

    Abraços meu amigo

    Livinha

    ResponderEliminar
  23. esta dito que o caminho da alma é o contrario do caminhos das nossas vontades, dos quereres, mas é o caminho da alma que nos faz elevar
    bjs

    ResponderEliminar
  24. acredito que nem sempre sabemos os caminhos que nos leva de encontro a alma ou ao nosso coração ao até mesmo ao nosso próximo,mas, sempre de alguma forma ou gesto paramos e institivamente tentamos encontrar este caminho que em geral é o contrario do qual estamos seguindo.
    bjs

    ResponderEliminar
  25. AC,
    Ternura e liberdade são dois sentimentos paralelos. Não há dúvida que se podem entrelaçar mas nem sempre é possível. Por isso, restam as conversas à lareira. Até o voo tem amarras mesmo que nosvamos entranhando na montanha!

    Beijinho e parabéns por mais um texto: uma resma de sentimentos registados de forma bela como nos vai acostumando!

    ResponderEliminar
  26. Volto só para dizer que a tela foi uma escolha feliz!:)

    ResponderEliminar
  27. É um prazer ler estes textos, como sempre...
    Abraço

    ResponderEliminar
  28. A alma da poesia tem a dimensão do infinito...abraços de boa semana pra ti amigo.

    ResponderEliminar
  29. Escolher e seguir o próprio caminho, mas levamos lembranças que, às vezes, doem...
    Boa semana!
    Beijinhos.
    Brasil
    ✿⊱╮
    ¸.•°`♥✿⊱╮

    ResponderEliminar
  30. O caminho da vida, amigo, sempre as mesmas difíceis opções.

    Beijinho

    ResponderEliminar
  31. Mais uma tela sublime.
    O sol está bem presente. Lindo!

    Parabéns

    ResponderEliminar
  32. "...mas , afinal, do caminhar qual é o sentido,
    o que se busca, então nesse percalço.
    Será, talvez, a flor que em tudo encanta
    e se supõe, talvez, que seja a vida?"
    A alma é livre e o caminho é sempre interior.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  33. É pena que a lareira se tenha apagado!
    Mas há mais madeira que vá aquecer os novos amantes... uma vez mais!

    ResponderEliminar
  34. A liberdade é perder o conforto e sair voando rumo ao desconhecido.
    Um texto que revejo nos voos dos meus filhos.
    LINDO e sábio.

    beijinhos

    ResponderEliminar
  35. A opção pela ternura é também um exercício de liberdade. Liberdade e desprendimento por vezes confundem-se; e nem todas as "amarras" prendem verdadeiramente. Às vezes a ânsia de liberdade transforma-se numa prisão.

    Um abraço, AC. E obrigada por estas palavras e pelas outras!

    ResponderEliminar
  36. Há que arriscar para se conseguir realizar os sonhos sejam eles de ternura ou de liberdade. Só que a liberdade é um estado de alma e não vale a pena perder a vida em busca daquilo que tem que estar dentro de nós.
    Um abraço e uma boa semana

    ResponderEliminar
  37. Voar, voar, mas regressar sempre, ainda que em imagem, à lareira, que nos dá coragem!
    Beijinhos, boa semana!
    Madalena

    ResponderEliminar
  38. Uma bela segunda feira pra ti meu amigo...abraços.

    ResponderEliminar
  39. great blog!!! following you now.. hope you could visit my blog too.. kisses!!!

    ResponderEliminar
  40. a vida é uma viagem, feita quase sempre em solidão
    restam as memórias do passado

    Abraço
    LauraAlberto

    ResponderEliminar
  41. Sempre fascinantes seus escritos, seu jeito lindo de tecer com palavras...beijinhos, ótima semana AC
    Valéria

    ResponderEliminar
  42. a parte que ficou, a da lareira

    fez voar a outra parte que sobe as montanhas

    de quantas partes se faz um coração?

    um beijo, AC

    manuela

    ResponderEliminar
  43. Tenho sido abençoada com sua presença em minha vida
    com seu carinho no meu blog.
    Hoje venho desejar uma semana abençoada
    e deixar meu eterno agradecimento.
    Nunca esqueça leio sua postagem e trago comigo no
    meu coração.
    Hoje ñ estou conseguindo digitar.
    EU vou continuar te seguindo e te amando sempre.
    Aceite meu beijo no coração e meu carinho
    na sua alma.
    Evanir..

    ResponderEliminar
  44. O quadro de Tapadinhas é belíssimo. A prosa magistral. Adorei o blogue.


    bj

    ResponderEliminar
  45. Os caminhos que vão surgindo, nem sempre são aqueles que escolheríamos, pela liberdade...as mudanças dos voos podem ocorrer e é saudável deixar que tudo aconteça naturalmente, para que as dores não maltratem tanto a alma...na bifurcação da estrada...

    Beijos, AC,
    da Lúcia

    ResponderEliminar
  46. A simplicidade do complexo

    faz-nos voar

    para lá dos pássaros

    ResponderEliminar
  47. Lembrarás sempre, com ternura, as histórias da lareira, mas a partir daqui tudo dependerá do vigor do teu voo.

    Puxa que lindo *__*

    Beijos!

    ResponderEliminar
  48. De alguns fica a obra!

    É isso que os nossos filhos de nós esperam!

    Saudações poéticas!

    ResponderEliminar
  49. AC,como é bonito ver a nossa língua falada (seria melhor dizer escrita) por quem tem origem no seio deste vernáculo. De Portugal, até aqui, no Brasil, quantas perdas... Soa doce e melódico, parece que tem mais propriedade! Mas agora, com a reforma, somos todos a mesma língua. Que bom. Mas o genuíno jamais vai se perder... espero.

    ResponderEliminar
  50. Quantas vezes o nosso corpo quer mais que a nossa alma.
    Por mais "lutas" que tenhamos, é o nosso íntimo, a nossa alma, que no momento fica magoada, dorida.
    Beijo

    ResponderEliminar
  51. Meu caro Agostinho!
    Há tanto tempo que não passo por aqui! É difícil conceber este desatino. Mas como diria Guterres: "É a vida".
    Belíssimo conto e definição rebuscada do conceito de Liberdade.
    Grande abraço amigo
    Caldeira

    ResponderEliminar
  52. Tão líricas essas prosas poéticas! Queria saber escrever assim.

    Abraços.

    ResponderEliminar
  53. amáveis as raizes (da liberdade) assente na ternura.

    belíssimo texto...

    abraços

    ResponderEliminar
  54. há momentos tão belos que nos entram e as palavras nos secam.

    sempre um prazer ler-te-

    bj

    ResponderEliminar
  55. Uau! Que lindo!!

    Minha alma (liberta), alça vôo quando te lê...
    :)

    Grande abraço pra você, caro amigo.

    Fique bem, fique com Deus

    Cid@

    ResponderEliminar
  56. nice pics...!!! i love it...!

    enjoyed your blog...

    kisses!!!

    ResponderEliminar
  57. Olá, AC!

    Obrigado pelas boas vindas.Andar por aqui, nesta lide de "blogar", não sendo doentio parece-se muito com uma doença ... benigna, digo eu.

    Quanto ao bonito texto, uma conclusão tirar:difícil é juntar nesta vida o melhor de dois mundos...

    Abraço amigo.
    Vitor

    ResponderEliminar
  58. Houve um momento em seu texto que lembrei Herman Hesse, sua sutileza e o rumo diferenciado que costumam tomar seus livros. Um lindo texto, amigo AC.

    Abraço.

    ResponderEliminar
  59. Tão luminosa quanto a tela são suas palavras AC
    e faze-nos recordar ternuras já vividas e que perdemos .
    Entretanto,havemos sempre de subir ao alto como os passarinhos em seus vôos mágicos!
    lindo como sempre és!
    abraço ,grande abraço

    ResponderEliminar
  60. Espero que o sol venha com o mesmo calor que deixa transparecer a imagem da tela.

    Beijo

    ResponderEliminar
  61. Me emocionei o teu texto lindo! abração,chica

    ResponderEliminar
  62. mas, quanto mais se sobe mais se desce
    kis :=)

    ResponderEliminar
  63. ... o voo d'alma libertando amarras e procurando o seu mais intimo sentir...

    Muito bom, como sempre.
    A tela, lindíssima!

    beijos
    cvb

    ResponderEliminar
  64. O voo da liberdade, o voo da alma que nos permite alcançar o segredo da vida! E esse voo mágico ninguém o pode deter, a não ser nós próprios. Só nós sabemos de que matéria são feitas as nossas asas...

    Uma asa, um abraço...sorrisos do meu (a)amar

    ResponderEliminar
  65. A.C. ,

    o texto entrou de tal forma em mim , que não consigo " falar " .

    Um beijo ,
    Maria

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Ainda falas da lareira, mas já percebeste que a ternura não se confunde com a liberdade."
      aqui reside o epicentro do texto, digo eu, a chave que abre todos os cárceres e é vontade. autodeterminação além da zona de conforto. ai crescemos gente. e somos.

      belíssimo.
      abraço fraterno e amigo
      Mel

      Eliminar
  66. Porque será que ao ler pensei no povo Português? Beijinhos

    ResponderEliminar
  67. Poeta

    Como sempre ler-te é adentrar no mais profundo da alma...uma viagem entre esperas e ausências.

    Beijinho
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  68. Enquanto lia, em mim nasciam asas,
    poderosas asas da liberdade do poeta
    e da beleza das escolhas.
    Bela alma, significativo texto.
    abs.

    ResponderEliminar
  69. Ola presado amigo.
    Belo texto!
    Somos livres, quando compreendemos e aceitamos até aonde nosso voo pode ir.
    a liberdade que muitas vezes buscamos está em nós mesmos.
    Tenha um bom fim de semana.
    Abraço fraterno.
    Maria Alice

    ResponderEliminar
  70. É...As coisas mudam e, às vezes, as asas da liberdade pesam demais. AC, um beijo pra você!

    ResponderEliminar
  71. Tudo o que um sonho precisa para ser realizado
    é alguém que acredite que ele possa ser realizado.

    Bom fim de semana
    Beijo

    ResponderEliminar
  72. Sair da "zona de conforto" é um verdadeiro desafio em termos de auto-conhecimento. Um dos maiores, diria eu.
    Um abraço e bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  73. Estas reflexões e leituras "de alma" são apaixonantes.

    ResponderEliminar
  74. Queria tanto saber contornar a minha e ver que tamanho ela tem!
    beijosss

    ResponderEliminar
  75. Fiquei a reler o "tal preço pela liberdade...
    A lareira... E o vigor do vôo".
    (chega a doer)

    bj
    bom dia!
    =)

    ResponderEliminar
  76. Haja alento, talento e coragem...para subir sempre mais....Beijo:)

    ResponderEliminar
  77. Linda a tela.
    Do texto não falo, as palavras por vezes só atrapalham...as minhas.

    Beijinho

    ResponderEliminar