domingo, 14 de julho de 2013

QUASE DIÁLOGO EM FIM DE TARDE

.
Hélio Cunha, Vestígios de um mar inexistente
.
.
.
- A nossa memória é tão curta, Pedro.
Silêncio de anuimento. Ela vira-se, olha-o nos olhos e prossegue.
- Há momentos em que o horizonte tudo promete, tudo parece alimentar, a vida quase faz lembrar um repasto de oportunidades. Mas há outros em que tudo se desvanece, tudo parece virar pó. Para quê, então, tanta ansiedade, tanto desejo de fulgor? Por onde paira o equilíbrio?
Nova pausa, desta vez mais prolongada. Há coisas que requerem o seu tempo, a sua interiorização é luta constante.
- O lado brilhante da vida depressa se esconde, por cada actor em cena há mil em lista de espera nos preâmbulos do guião.
De novo a pausa. Queria-lhe dizer que, para algumas pessoas, a questão não era viver, tudo se resumia a sobreviver. Mas nada lhe disse. As referências são sempre importantes, sem elas a dignidade pouco ou nada respira.
- Sabes, a simplicidade parece ser o caminho certo. Contudo, contrariando o seu significado, alcançá-la dá muito que penar. É tão delicada, essa marota...!
O sol, ao longe, vai-se escondendo. As inquietações, bipolares, preparam-se para o rastilho que irá incendiar a noite.
.
.

34 comentários:

  1. pausaconvite está colado!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois está, e nem precisou de cola. :)

      Eliminar
  2. Mais um diálogo provável, um texto belo. Sugere-me que nem sempre, nem para todos, é clara a diferença entre vida e sobrevivência e nessa confusão a dignidade até perdeu sentido. É gente que lida nem bem nem mal com a poesia, ignora-a. É gente que nem sonha que podem acontecer noites incendiadas...

    ResponderEliminar
  3. Lindíssimo este diálogo.
    Pois é, também para mim a simplicidade é sempre o caminho certo.

    Bjs

    ResponderEliminar
  4. Oi,A.C...a simplicidade nas convicções e no diálogo é o lugar onde reside a sabedoria para viver em paz.
    um abraço

    ResponderEliminar
  5. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
    Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
    decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
    siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

    ResponderEliminar
  6. Eu acho que sim... temos que procurar a simplicidade. :)

    ResponderEliminar
  7. Parabéns pelo texto :)

    Achei inspirador e verdadeiro.

    Obrigada por sempre passar no meu blog também!

    http://raquelconsorte.blogspot.com.br/

    Beijos

    ResponderEliminar
  8. meditar e o dia passar..
    belo escrito AC..
    beijo e boa semana.

    ResponderEliminar
  9. Pois de onde viria a beleza da vida,
    ora,
    se não fossem as pausas e a simplicidade no viver?!


    Mui belo. Abraço.

    ResponderEliminar
  10. Ora bem! A beleza da simplicidade e acrescento, da autenticidade, é difícil de alcançar...
    Para ler e meditar. Um abraço.
    M. Emília

    ResponderEliminar
  11. Por partes:
    1. A tela é muito bonita. Não conheço este pintor, vou pesquisar. Grata por esta partilha.

    2. O texto, mais rico que a tela porque sim.

    3. São poucos os que valorizam a simplicidade. O narcisismo é difícil de aplacar.

    Em suma, gostei muito deste exercício.
    Beijinho. :))

    ResponderEliminar
  12. Fantástica essa tua capacidade de dizer a infinitude num texto tão curto... E simples... E lindo.

    um beijo, meu querido.

    ResponderEliminar
  13. Olá, AC.

    Sim, nossa memória é curta... talvez um artifício da natureza para que nos desvencilhemos dos excessos e fique apenas a essência e a simplicidade.

    Belo, como sempre.Beijo.

    ResponderEliminar
  14. pois é.
    simplicidade por vezes faz falta (muita).
    beijo

    ;)

    ResponderEliminar
  15. Agostinhamigo

    Mais duas admirações: pelo texto e pela gravura. Tenho dito e nisso sou irrevogável... Ou, antes, revogo o irrevogável:

    Na nossa Travessa há um artigo de um tal Vicente Antunes Ferreira (meu neto, 14 anos) sobre o tema candente – pelo menos para os amantes do futebol – que é a telenovela do jogador-maravilha, o Bruma, cujas andanças entre o Sporting e os muitos pontos de ??? a qual tem posto ao rubro o período de férias do chamado desporto-rei e não só… Se quiseres lá dar um saltinho, verás das habilidades do moço, muito melhores do que as do avô babado…

    Abç

    Henrique

    ResponderEliminar
  16. Há de se ter simplicidade para sobreviver às intempéries e pausas, às vezes, próximas, às vezes perdida. Saímos das leituras dos seus textos sempre enriquecidos.
    Grande abraço, A.C.,

    ResponderEliminar
  17. É entre a sombra e a luz que se reparte o tempo, as emoções, numa área subjetiva. A simplicidade é deveras complexa.

    Um beijo


    ps: sim, leu bem nas entrelinhas!:)

    ResponderEliminar
  18. Sempre me fez impressão como alguém consegue viver sobrevivendo sabendo que apenas o poderá fazer uma vez. A submissão não deixa viver em pleno, mata os sonhos, os desejos e leva ao desrespeito. O equilíbrio consegue-se, a experiência ajuda quando conseguimos aprender com ela. Beijinhos

    ResponderEliminar
  19. Concordo , ser realmente simples é uma completa complicação...

    Um bom resto de dia

    ResponderEliminar
  20. Um excelente texto. A nossa memória não é fraca, mas tem demasiadas gavetas que nós vamos fechando por inércia, ou por desejo.
    E a simplicidade é como uma moeda. Às vezes pensamos que está na cara e afinal está na coroa
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  21. Um grande abraço por esse texto sábio, AC!

    ResponderEliminar
  22. Amei este diálogo. A simplicidade precisa ser batalhada dia a dia.
    Um lindo dia para você.

    Um abraço.

    ResponderEliminar
  23. O palco tem permanentes espetáculos em cena...e cada ator, escolhe em que, como e quando atuar, em diálogos ou monólogos.
    Beijos, AC,
    da Lúcia

    ResponderEliminar
  24. A simplicidade é necessária... e belamente profunda.

    Beijos.

    ResponderEliminar
  25. « as referências são sempre importantes, sem elas a dignidade pouco ou nada respira»
    É verdade, AC. Não sei se soube interpretar o que o grande poeta quis dizer entre linhas, porém, se bem entendi as pausas não conseguem dar luz ao diálogo, e a dignidade aos poucos vai asfixiando! A nossa memória quando é mais necessária é curta...
    A arrogância é inimiga da simplicidade e há muitos que julgam a simplicidade por parvoíce!!!
    Adorei o seu excelente texto, grande poeta. Muito obrigada pela partilha.
    beijinho e bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  26. Saber viver (bem) é uma arte, uma arte negada à maioria.
    E é tão simples! Basta respirar, usufruir esse dom magnífico que é a vida, ser feliz com coisas pequeninas passando, claro, pelos sentimentos
    Redutora, esta postura? Talvez!...

    ResponderEliminar
  27. O ser humano parece não gostar da simplicidade, não olha para dentro de si mesmo...Olha para fora e quer medir forças com o que vê...Um beijo, AC!

    ResponderEliminar
  28. Poeta , cada vez que venho aqui me emociono e saio enriquecida .Obrigada pela partilha de sua poética escrita . Agradeço e fico feliz com suas visitas ao meu espaço . Alegre dia do amigo . Beijos

    ResponderEliminar
  29. o milagre das pequenas coisas...

    abraço

    ResponderEliminar
  30. Boa tarde, AC. Memória curta todos temos, ainda mais quando é para lembrar do bem que alguém nos fez, ou fizemos.
    Quando agimos ou alguém de modo contrário, logo vem as acusações.
    Somos julgados e julgamos sem dó.
    Se fôssemos pessoas mais simples, observadoras, olharíamos par o bem diário, para os valores que realmente importam e seguiríamos uma feliz vida, mas somos ou fazemos questão de sermos pessoas complexas.
    Beijo grande e excelente semana de paz!

    ResponderEliminar
  31. "Há momentos em que o horizonte tudo promete, tudo parece alimentar, a vida quase faz lembrar um repasto de oportunidades. Mas há outros em que tudo se desvanece, tudo parece virar pó. Para quê, então, tanta ansiedade, tanto desejo de fulgor? Por onde paira o equilíbrio?"_(lembra o estado da nação)

    "De novo a pausa. Queria-lhe dizer que, para algumas pessoas, a questão não era viver, tudo se resumia a sobreviver. Mas nada lhe disse. As referências são sempre importantes, sem elas a dignidade pouco ou nada respira.__ Sobreviver é pouco, viver é tudo!

    Adorei o texto, muito bem estruturado, poético e com pluralidades de leituras!

    Beijo grande para te recompensar a ti e a mim:)))

    ResponderEliminar