sábado, 10 de setembro de 2016

ESTRELINHA VAI, ESTRELINHA VEM...

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Ilustração de Luiza Maciel Nogueira
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Meio da tarde. Pelo terreno, espaço de amplas liberdades, cirandava um melro que, qual boneco articulado, ensaiava, com o bico, graciosos movimentos ritmados, de vai e vem, na captura de sementes ou de alguma lagarta distraída. 
Um dos pequenotes, movido pelo deslumbramento, tentou apanhar o pássaro, irrompendo de braços abertos. Sentiu o duro do chão, preço normal de qualquer lição. Os outros, rindo, afastaram o espectro do choro. 
Um dó li tá, 
Quem está livre
Livre está!
O melro, a distância segura, prosseguia no seu debicar. As crianças, num mundo só delas, continuavam a povoar a tarde de estrelas.
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33 comentários:

  1. Poeta , lição de pureza . Belíssimo texto , como sempre . Obrigada . Beijos

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  2. Lindo ,doce, momentos deliciosos de ler e viver! bjs, chica

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  3. Um mundo só das crianças?
    Onde?
    É perto? É longe?

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  4. Crianças são como avezinhas alegres e felizes, porque são livres...
    Um texto encantador, A.C.

    Um beijinho! :)

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  5. Um texto brilhante... de uma leveza e candura encantadora...
    Parabéns, por mais esta pérola literária, AC!...
    Belíssimo trabalho!
    Beijinho! Bom domingo!
    Ana

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  6. Grande honra AC! Tudo muito lindo por aqui, palavras que nos fazem sonhar! Bjs

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  7. A infância de um tempo em que o deslumbramento ia muito além da caça aos Pokémons e brincar implicava interagir, comunicar, verbalizar cada emoção...

    Bj.

    Lídia

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  8. AC escolheu a ilustração perfeita para este terno texto poético.

    Voltei literalmente à liberdade estrelada da infância...

    «Um-dó-li-tá / Cara de amendoá / Um soleto coloreto / Quem está livre livre está». :)

    Um beijinho

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  9. Livres como os pássaros...felizes como eles...tudo está em seu lugar quando somos crianças ...
    Um abraço

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  10. Tantos mundos neste mundo de estrelas que havia de ter apenas estrelas, brilhantes e puras. Abraço AC

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  11. Crianças e passarinhos numa tarde de estrelas!
    Pureza e encantamento a cirandar no pensamento!
    Lindo demais!
    Beijo carinhoso!

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  12. Linda inspiração com bela ilustração que nos remete ao mundo encantado de crianças com suas estrelinhas.Ouço o canto do melro e vejo suas manobras arrojadas no seu caçar.
    Aplausos AC.
    Abraços

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  13. Era assim que as crianças brincava,.
    Agora já nem tanto...
    Aquele abraço, boa semana

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  14. E a malta caía, levantava-se e cara alegre!

    :)

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  15. A delicadeza do texto fascinou-me. Estou a ver os melros. Estou a ver as estrelas que as crianças deixam cair na tarde... Belíssimo!
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  16. O teu texto remete-me para a minha infância, tão povoada de estrelas...inocência, povoada de natureza, em todos os sentidos, fomos filhos de uma geração habituada a desenvolver os sentidos ao ar livre! A crescer dessa forma, a descobrir dessa forma!
    Na nossa altura era mais saudável!
    Hoje, as crianças não sabem estar umas com as outras, agarradas ao telemóvel... ou na pancadaria... ao ponto mesmo de chegar a magoar! Desenvolvem comportamentos agressivos, o reflexo do mundo em que vivemos, da confusão que reinas nas famílias,etc!

    Não, não fui aos Açores, estive quase para ir lá.... :-)

    Beijinho :-)

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  17. É o que há de melhor em trabalhar com crianças, Ac. Seu mundo cheio de estrelas, a qual muitas vezes fazemos parte também. Abraços!

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  18. Consegui cair perseguindo o melro [ tão preto e luzidio ] ,vi estrelas e cantei a velha cantiga ... por momentos fui feliz .
    Obrigada!

    Um beijo , AC ,
    Maria

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  19. Que maravilha. As lições da Natureza costumam ser muito sábias. O meu pequeno explorador também andou pelas lides agrícolas e viu, pela primeira vez ao vivo, um louva-a-deus.
    Felizmente ainda podemos proporcionar estes momentos às nossas crianças em Portugal. É só querer.
    Abraço
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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  20. A maioria dos garotos de agora não sabem brincar e felizmente que os meus netos andam quase sempre com os joelhos esfolados, braços arranhados, descalços e por vezes todos sujos de terra. Deixá-los crescer é ordem mas há pais e sobretudo avós que não lhes dão asas para voar, cair e levantar!

    Gostei imenso

    Beijocas

    Gostei imenso

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  21. (mais um texto em modo compota de abóbora à maneira da minha avó, "coisa" muito boa, portanto).
    ...
    Tenho um desses melros cá por casa (pássaro preto de bico amarelo e esperto todos os dias) deixa-me doida com a história de passar a vida a deitar a terra dos vasos para o chão. Os meus canteiros que são pintadinhos de branco à volta, são outro alvo. Mal me sentem na passadeira correm a esconder-se debaixo da cameleira. Tenho para mim que ficam por lá escondidos a espreitar-me para, novamente, tentarem desafiar-me. Um dia destes ponho-o na frigideira e junto-lhe tomilho, açafrão das índias e gengibre mooído :))

    Beijinho, AC :)

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  22. Um mundo à parte, em que ate a dor é relativa.
    Um mundo pequeno que permite a imaginação sem limite.

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  23. Benditas as crianças e as estrelas, o mundo é delas.

    Beijos

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  24. Penetrar no mundo inocente das crianças, na leveza e liberdade dos pássaros e ainda com o brilho das estrelas, é uma oportunidade que eu só quero te agradecer, por compartilhar conosco. Bravo, AC!

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  25. Intenso momento para quem (d)escreveu e para quem se demora na leitura. Deste prazer (re)nascem outros e, por algum tempo, também sou criança.
    Bjo, meu amigo :)

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  26. O mundo perfeito da inocência!
    Muito bonito!
    Beijinho

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  27. Assim se enternecem crianças, o negro a gargalhar, e a gente a vê-las aos saltos. Uma aventura mil vezes repetida, os mesmos melros, as mesmas crianças: nós a voar.
    Belíssimo.

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  28. Senti-me em casa, neste preciso momento, em casa e miúda :))

    Bom dia AC

    O silencio por aqui já dura há duas semanas, está tudo bem?

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  29. o mundo da inocência...
    tão belo de ler.
    beijo
    :)

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