quinta-feira, 15 de junho de 2017

NA CASA DA MÚSICA

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Fotografia de AC
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O dia avançava, qual farol condicionador de todos os gestos, enquanto me dirigia para o meteorito. Ousei entrar. 
As linhas seduziam, como se desvendassem o segredo da amálgama entre o linear e o complexo, parecendo esbater distâncias interiores, por mais irresolúveis. Deixei-me ir, por uma vez gostei que me conduzissem. E valeu a pena.
Quando os acordes começaram a dar sinal de vida, prometendo novas telas, acomodei-me no assento. Depois, deixando na penumbra toda a transpiração do executante, como se tudo fosse natural, cada instrumento deu o melhor de si, como se os instrumentistas fossem mero adereço. E as telas começaram a insinuar-se, renovando-se a cada instante, como se tudo fosse uma história ao nosso alcance, escrita com as vivências e os anseios de cada um.
No final, o aplauso merecido para os músicos residentes da Casa da Música, no Porto, verdadeiros efabuladores da essência humana. Isto é cultura.
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13 comentários:

  1. AC, o Porto nos dias de hoje é o mundo. Sou suspeita quando me entusiasmo a gabar a minha cidade, mas tenho um receio inquietante. O turismo tomou proporções excessivas, e hoje em dia já não calcorreio pelas suas ruas desnudas. É um mar de gente que parece ser São João, todos os dias.
    Espero que tenha sido bem recebido, com calor humano que nos é característico.
    Beijinho.

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  2. Sabes AC, eu sinto que as salas dos concertos são mais ou menos como as salas dos museus. Preciso estar lá num dia em que toda eu, de corpo e alma, esteja permeável ao belo, ao encantamento, ao desconhecido que me impregna e me faz sentir coisas. Porque há dias que "não estou lá" e é uma perda de tempo.
    PS - não conheço a casa da música. Talvez um dia...

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    Respostas
    1. Se calhar acontece o mesmo com as pessoas. Quando se encontram. Têm de estar ambas permeáveis ao desconhecido que o outro representa. Ou então não há encontro.
      (Desculpa, já estou a filosofar!)

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  3. Momentos de elevação por meio da música tornam nossa trajetória humana mais conectada com o imponderável. Bela e poética descrição desses momentos. Abraços.

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  4. É cultura e tu tens o talento de descrever com mestria, todo o sortilégio que envolve esse recinto mágico.
    «Casa da Música» só há uma, é a do Porto e mais nenhuma, nem carece referência à cidade. :)

    Um beijinho A.C. :)

    (saudades tuas)

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  5. Que beleza isso a música boa sempre nos faz bem! abraços, chica

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  6. É sempre retemperador assistir a espetáculos artísticos.
    Deve ter passado momentos maravilhosos, como evidencia no texto.
    beijinho

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  7. A pedir uma visita numa próxima ida a Portugal.
    Aquele abraço, bfds

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  8. Interessante , " o meteorito " que no inicio desagradou a muitos , exactamente pela sua forma , é extremamente agradável e bonito no seu interior .E tudo tem a sua razão de ser .
    E quando , finalmente , se escutam os acordes musicais , tudo passa para segundo plano , pois o prazer que esta arte provoca é superior .

    Que bom que tenha gostado .

    Forte abraço AC , e bom fim de semana ,
    Maria

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  9. Uma prosa em forma que é um convite ao leitor para ir à Casa da Música.
    Gostei, especialmente, da descrição daquela sensação, tão bem traduzida, de sermos possuídos pela magia dos sons.
    O "OVNI" provoca, à primeira vista, uma sensação de desconforto e insegurança, desde logo pelas escadas de acesso. Não sei se alguém se despenhou daqueles degraus alumínio. Feito o embarque tudo corre bem. Já lá assisti a alguns concertos a fiquei em harmonia. E não caí.
    Abraço.

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  10. Olá, AC! Visto não ter o seu contacto de e-mail, deixo esta indicação aqui nos comentários :)

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  11. Adorei a imagem, e o texto... é um verdadeiro convite... para irmos conhecer de perto, o meteorito... por dentro... e descobrir as várias essências, do qual é feito...
    Beijinhos
    Ana

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