sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O MEU POETA

.
Imagem retirada do Google
.
.
Conheço um poeta que é igual a todas as outras pessoas, afinal um poeta é uma pessoa como todas as outras. Contudo, para lá dos gestos triviais, como que refugiando-se na normalidade, há um não sei quê que o trai, talvez o olhar, como se estivesse, continuamente, à espera do seu momento de libertação. E, quando descortina algo que o cativa, que o agarra, é vê-lo partir, sem sair do mesmo lugar, como se, de repente, a realidade ganhasse novos contornos, novas geometrias, como se vislumbrasse um portal para um novo patamar. Subitamente, como se despertasse, dá-se conta de que está perante olhares que o questionam, procurando entender aquela aparente fuga. Nessas alturas apenas sorri, enquanto se despede como se levasse, a tiracolo, algo de precioso.
Conheço um poeta que parece igual a todas as outras pessoas, mas não é. Enquanto os outros tudo fazem para adoçar a realidade, adquirindo, ele tudo faz para lhe dar novos contornos, voando.
.
.

domingo, 10 de setembro de 2017

A PEDRA

.
.
Havia uma pedra, há sempre. Mas aquela, de tão diminuta, prendia a atenção, como se a sua pequenez tivesse algo para transmitir.
Olhei-a. Era cinzenta, baça, sem brilho, aparentemente sem nada de especial. Mas, por mais que a tentasse deixar para trás, ela parecia olhar-me, desafiando a minha percepção das coisas.
Prossegui o caminho. Quando ultrapassei a primeira curva, a pequena pedra, acomodada na mochila, parecia cantarolar. Eu apenas sorria.
.
.