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AC, Amendoeira
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No sossego do vale o mundo era roda a girar, sem obstáculos, cada movimento parecia obedecer a ordem divina. O teu riso, suprema dádiva, era homenagem espontânea à vida, que fruías, sem te dares conta, em total harmonia com a envolvência. A realidade era circunscrita, é verdade, mas era a tua. E acreditavas.
Quando partiste, com mil sonhos na alma, os teus olhos diziam tudo: querias abraçar o mundo. E esbracejaste, lutaste, insististe... De repente, na ressaca da tua navegação por recibos verdes e contratos a prazo, dou-me conta da transfiguração do teu ar: sério, quase sem expressão, a argumentar com falta de esperança. Sentes-te cercada, ameaçada, afinal o mundo não é como imaginaras. E, supremo sintoma, já nem falas das flores.
Ontem, quando chegaste, apesar do teu semblante carregado, gostaria de te ter mostrado as amendoeiras em flor, mas o seu auge passara, vinhas atrasada. Talvez, quem sabe, estes dias por aqui te façam redescobrir o milagre da simplicidade. Não sei se ainda te lembras, mas as cerejeiras e os pessegueiros estão quase a ficar em flor.
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