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Muito da essência humana, por mais que brade a diversidade de pretensos pastores, tem a ver com sobrevivência. Ciclicamente vão aparecendo algumas vozes, inconformadas, pugnando por um patamar mais elevado, mas depressa os detentores do poder, apelando à zona de conforto das massas, reagem. Nada mais eloquente, para ilustrarmos essa ideia, que socorrer-nos das palavras do príncipe de Salina, personagem do romance "O Leopardo", de Tomasi di Lampedusa: é preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma.
Na nossa vida somos confrontados, amiudadas vezes, com situações de perfeita mediocridade, em que as instituições exigem obediência cega, por mais míope que seja a sua visão. Bem podem bradar os bem intencionados que uma sociedade só poderá evoluir se os seus membros forem pro-activos, com consciência crítica. Na prática, principalmente nos países mais solarengos, isso só nos manuais. E, desde que haja pão e circo, mais um favorzito aqui e ali, as pessoas facilmente vendem a alma ao diabo. E é vê-lo sorrir, o descarado!
O ser humano é o que é, temperado com demasiada dose de egoísmo, mas com uma parte, por mais recôndita, com necessidade de luz. Há quem diga que certos silêncios são sabedoria, que é preciso saber passar entre os pingos da chuva, mas cá para mim, eterno desassossegado, eles apenas moldam a alma no rastejar da cobardia.
Antes que seja tarde, vai sendo tempo de darmos voz aos nossos silêncios.
Antes que seja tarde, vai sendo tempo de darmos voz aos nossos silêncios.
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