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AC, Agonia dum laranjal
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Foram p'ra cidade, em busca do movimento e da ventura, deixando sentinelas, habituadas a bons tratos, alheadas dos habituais carinhos. A terra pouco dava, compreenda-se, para além da sobrevivência. Era o país em que vivíamos.
Nem a ventura chegou, apesar do movimento, nem as sentinelas renovaram o uniforme. E, com toda a naturalidade, as ervas instalaram-se, rindo-se da desventura humana, enquanto os antigos cuidadores desesperam por aprender a nadar no cimento. Em vão.
Reivindicam-se equilíbrios, às vezes apelando ao saudosismo, em tertúlias académicas de gente com bolsa instituída, mas na prática são ingleses e alemães que, fugindo da selva do cimento, e investindo poupanças e algumas reformas, se vão instalando por aqui, ufanos duma vida ao ar livre, em comunhão com sons, odores e sabores muito próprios, sem as grilhetas duma formação espontânea dos acordes ditatoriais dum qualquer relógio. Fazem, porque sentem que têm que fazer. Não mais. E respiram, respiram como nunca.
Os antigos donos, entretanto, vêm uma vez por ano. E, para além dos sorrisos de circunstância, como que a querer cimentar o estatuto duma nova forma de vida, deixam sempre transparecer a dúvida, ainda que de forma inconsciente, ao depararem com a serena satisfação dos novos ocupantes. E se eu, em vez de...
Mas não, não há volta a dar-lhe. Estão demasiado aprisionados às aparências para tentarem algo de radical nas suas vidas. Entretanto, e não vá a porca torcer o rabo, os ingleses e os alemães continuam a apreciar o sol, por mais labutas que a terra exija.
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