sábado, 31 de outubro de 2009

TEMPO

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Lutavas contra o tempo
Em sobressalto
Vendo as folhas cair
E não reparavas
Que a cor outonal
Era a satisfação
Dum desígnio cumprido
E que a queda
Suave
Era a chave
Do conhecimento do segredo
Debatias-te
Angustiada
Na visão do espelho
E esquecias
O passo a dar
Para entender
A arquitectura do ciclo
Programada
Com a palavra primitiva
Sentia-te a inquietude
Mas nada podia fazer
Para apaziguar o medo
De sentires
O vazio do abraço.
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6 comentários:

  1. Porque cada um interpreta as poesias que lê conforme o seu estado de alma, a mim este poema faz-me lembrar o popularismo que diz, "que ao cair da folha...".Associado ao facto de com a chegada do outono, do frio as pessoas vão-se indo.Seja qual o seu sentido do poema está como sempre lindo!obrigada,continue!

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  2. O poeta enamorou-se da palavra
    E trouxe-a em Outono de poesia
    E revelou-a densa intensa e sibilida
    Para apaziguar o medo
    E fez-se abraço na solidão do dia.


    Agostinho
    Nasceu um poeta.Composição cheia de musicalidade, com as sibilantes a emprestarem um ritmo cadenciado e nostálgico à metáfora forte e cheia de pluralidade semântica.ADOREI!!!!

    IBEL

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  3. Tenho de confessar que fiquei "parada" no tempo.
    É sem dúvida um poema...
    ... demasiado profundo para ficar indiferente;
    ... demasiado nostálgico para não o relacionar com a "inevitável partida";
    ... demasiado angustiante para não o associar à luta pela vida;
    ... demasiado transparente para não querer ver as folhas que vão caindo;
    ... demasiado belo para não receberes "O carinho do abraço" de quem retira das tuas palavras sentimentos e reflexões que o Tempo não apagará.
    Simplesmente intemporal!
    Magnífico, Agostinho!

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  4. Quem me dera apaziguar o tempo.
    Lindo!

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  5. Às vezes questiono-me qual seria a relação entre o tempo de duração da vida do Homem e o tempo que levou a Terra a formar-se…
    É absurdo pensá-lo…
    É absurdo sequer imaginá-lo…

    Mas na verdade… O tempo passa.

    Quero acreditar que o tempo é relativo…
    Quero acreditar que tenho o tempo de uma vida… Quero acreditar que tenho tempo para poder reflectir os teus magníficos textos…

    Carolina

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  6. Não consigo ficar indiferente aos seus magnificos textos... como não lhe confiarmos os nossos filhos, na aprendizagem da vida, se é possuidor de uma tamanha sensibilidade! Fico sempre triste, corrijo, mais triste, nesta época, mas, confesso que os seus textos me aliviam a tristeza e são o melhor antidoto para a revolta que tenho dos testes que esta vida me tem feito ultrapassar... mas aprendo e continuo diáriamente a assimilar tudo o que os seus textos transmitem. Muito obrigada.

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