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Mudam-se os tempos e, ao contrário do que o grande Camões auspiciava, não se mudam as vontades. Muda-se, quanto muito, a cosmética, tal como constatou Tomasi de Lampedusa no seu magnífico romance "O Leopardo". Recomendo profundamente.
Chegam-me notícias dum familiar que esteve em contacto com um infectado com Covid-19. Há alarme geral, com algumas pessoas - poucas, felizmente - em comoção, como se a peste negra chegasse à família. A pessoa em questão já está em quarentena, apesar de, na altura do contacto, usar máscara (tal como o infectado) e de se ter mantido a uma distância prudente. Para todos os efeitos, dentro de dois dias vai fazer o teste. Em suma: por mais que nos mentalizemos das medidas certas a tomar, a irracionalidade tem sempre campo de manobra. Com efeitos colaterais, pois é claro.
A lareira crepita. Entretanto, para amenizar a coisa, chegam-me imagens do Miguel através duma vídeo-chamada. E então, qual mezinha abençoada, tudo fica para trás. O catraio está lindo, ávido de interagir, não se escusando à prova de novos sabores, para lá do leite materno: brócolos e cenoura. É verdade que, no início, ele estranhou, mas, tal como na genial frase de Fernando Pessoa aquando do lançamento, nos primórdios, da Coca-Cola em Portugal, depois ele entranhou. E, para terminar, por hoje, nada melhor que socorrer-me de Mestre Gil (Vicente), quando escreveu em título, publicando, que "E assim se fazem as cousas". Dito isto, e procurando analisar tudo o que surgiu de sopetão, deixo o teclado em repouso.
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