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Os últimos fenos, temerosos da chuva, já estavam recolhidos, cortara-se a lenha para o Inverno, na despensa predominava o aroma a maçãs maduras. Tu, no entanto, parecias já não olhar.
Doem-me os olhos de tanto já ver, argumentas, a consciência da mortalidade retira encanto à tonalidade das folhas. E, depois, perante o inevitável, para quê inventar novas formas de comunicar?
Eu sei que não é bem assim. Talvez, no fundo, queiras um pouco mais de atenção, mas noto que, com o passar dos dias, há um translúcido fio de desassossego que vai roendo, lentamente, o brilho dos teus olhos. Já nem o cheiro a pão, acabadinho de fazer, te faz exaltar os poemas vivos.
Eu sei que não é bem assim. Talvez, no fundo, queiras um pouco mais de atenção, mas noto que, com o passar dos dias, há um translúcido fio de desassossego que vai roendo, lentamente, o brilho dos teus olhos. Já nem o cheiro a pão, acabadinho de fazer, te faz exaltar os poemas vivos.
Enquanto lês, junto à vidraça, um tímido raio de sol vem aconchegar-te o regaço. Pareces não ligar, mas gostas. Então, de forma subtil, enquadras melhor o livro na suave luz. O gato, aproveitando a brecha, vai, tranquilamente, aninhar-se no teu colo.
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