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sábado, 5 de novembro de 2011

MEMÓRIAS DA CHUVA

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Dizes-me que a vida não tem sempre o mesmo tiquetaquear, embora se decore, por vezes, de lembranças e memórias. Apenas às vezes, salientas, pois ela não se circunscreve ao olhar saudoso de alguém sentado num rochedo debruçado sobre o mar. As memórias ajudam, mas como porto de abrigo de afectos desencontrados, nunca como cemitério de ilusões perdidas. Afinal, rematas, o despertar de uma flor, principalmente em local adverso, não abre as mais ínfimas portas da esperança?
A esperança tece-se de muitas formas, replico, e nenhuma é melhor que a outra. Sabes, só aspira à esperança quem vê o horizonte sombrio e não se conforma. Por vezes até os pássaros parecem ter esquecido o seu cantar, mas isso só acontece quando apenas nos concentramos no nosso lamento.
Gostas da chuva a cair-te no rosto, não gostas?, concluis, em sorriso esmeralda.
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