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sábado, 25 de junho de 2022

ENTRETANTO

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Margarida Cepêda, As nossas teias
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Há um tempo de frenesim na vida, no nosso crescimento, como se as coisas nos escapassem por entre os dedos, fugindo à vontade de mudar o mundo a nosso jeito. Mas, plenos de energia, continuamos.
Entretanto, noutras latitudes, as pessoas apenas lutam para sobreviver.
Há um tempo duma suposta estabilidade na vida, em que, a pretexto de salvaguardarmos os nossos, começamos a ser condescendentes. Mas os bens materiais são o perfeito antídoto para anestesiar a consciência.
Entretanto, noutras latitudes, as pessoas, com alguma ajuda, apenas lutam para sobreviver.
Há um tempo em que, por mais que nos custe, começamos a envelhecer. Mas socorremo-nos de todos os artifícios para adiar o inevitável.
Entretanto, noutras latitudes, as pessoas continuam a lutar, com alguma ajuda, para sobreviver.
Há um tempo em que, por fim, nada mais há para adiar. E só nessa altura, sem nada para subornar a ceifeira, temos a plena consciência da nossa condição.
Entretanto, noutras latitudes, há muito que os contemporâneos  de nascimento foram tragados pelo inevitável. Mas, felizmente, com maior ou menor ajuda, os que restam continuam a lutar para sobreviver.
Haverá um tempo em que, para lá do tempo que foi, apenas restará a lição. Só então, por mais que doa, se evitará a contra-mão.
Entretanto...
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sexta-feira, 1 de maio de 2020

ACERCA DA GENTE COM UM CONTENTAMENTO DESCONTENTE

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Dead Combo, Povo que cais descalço
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Havia sol. E mar. E montanhas. E gente. Gente com um contentamento descontente, de há muito sobrevivente.  
Mas era um lugar especial. E essa gente, trajada, desde sempre, com um contentamento descontente, mesmo na incerteza - temperada de partidas e chegadas, muitas falhadas - reinventava-se no dia-a-dia, enquanto bulia. E, por mais que lhe doesse, cantava. E chorava. E ria.
Havia sol. E mar. E montanhas. E a minha gente.
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