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Corria a praia, manhã após manhã, à procura nem sabia bem do quê. Por vezes, quando as ondas vinham de mansinho, levantava a saia e deixava que a água lhe acariciasse as pernas, como que a manter viva a chama de algo que sentia, mas ainda não vislumbrava. E assim se deixava andar, praia fora, qual personagem de romance a quem estava destinado um papel de realce, à espera dum qualquer sinal.
O tempo ia passando, em manhãs repetidas, e de sinais apenas a satisfação da carícia das águas, do cheiro da maresia, da arquitectura do voo das gaivotas... Mas persistia, tecendo convicções mil, acreditando que os elementos acabariam por recompensar tanta devoção, tanto crer.
Hoje, quando alguém a vê passar, os mais velhos, moldados que estão na luta pela sobrevivência, já nem ligam. Os mais novos, porém, ávidos da abertura de novos portais, a princípio estranham, mas acabam por respirar os desafios lançados no ar. E, como que conduzidos por mão invisível, sentem-se impelidos a desvendar os desígnios daquela senhora, eterna Menina do Mar. E, embora lentamente, começam a redimensionar o seu navegar.
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