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AC, Alperces (damascos)
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Manhã cedo. Após pequeno almoço substancial, obrigatório para quem respira e cultiva estes ares, há que fazer uma ronda obrigatória na horta, poema sempre presente, antes que o sol afaste qualquer ser vivo. Já se consomem alfaces, os alperces estão no ponto, as cerejas já se despedem, as cebolas estão bem, muito obrigado, as couves lombardas crescem que é um regalo, os tomateiros estão plenos de flor...
Por perto, na perspectiva do hortelão, e de forma muito discreta, uma lesma namora as alfaces, em busca de manjar, mas não é o fim do mundo. Muito pelo contrário. Numa horta sem químicos - tal como as fotografias no blogue, sem corantes nem aditivos - em que qualquer ser a sente como sua, há sempre lugar para todos. Em equilíbrio, note-se, que as lesmas, caracóis e outros que tais, têm muito que comer nas ervas circundantes.
O tempo vai passando e, em crescendo, o calor começa a dardejar, qual sinal para o recolhimento. Até para as formigas. Lá mais para a tarde, quando a o astro começar a ceder, a passarada voltará a fazer-se notar. E, bem mais acima, fora do alcance do olhar das potenciais presas, as aves de rapina voltarão a povoar os céus, no seu planar constante, apenas ultrapassadas, em altitude, pelo rasto efémero da passagem dos aviões. As cegonhas, bem mais circunscritas, limitar-se-ão a um voo directo, bem menos sofisticado: ninho-alimento-ninho. É quanto lhes basta.
Entretanto, e para que conste, o rouxinol continua por aí, animando, e de que maneira, as noites quentes dum pré-anúncio estival. Nem a pandemia, pasme-se, consegue anular estes concertos, qual sonho duma noite de verão, em versão muito arredada de Shakespeare, para ouvinte privilegiado.
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