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Pessegueiro, Fotografia de AC
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Após uma intensa semana de trabalho na escola - em que, apesar do empenho, tentar levar a bom porto uma nau que alguns persistem em comandar à distância, no conforto dos gabinetes, esquecendo realidades díspares, não é pêra nada doce - as manhãs de sábado são sempre momento de reencontro com o que de melhor habita em nós. Hoje, porém, tal era o cansaço, não houve azáfama obreira, numa eterna tentativa de harmonizar o mundo que nos rodeia à medida da nossa respiração. Não, hoje as mãos não mexeram na terra, houve apenas disponibilidade para curtas andanças para observar o andamento da horta de inverno - alhos, favas, ervilhas, este ano com a novidade de dois chuchuzeiros - e para assistir aos progressos da floração das árvores.
Olho, ao longe, e tudo parece parado. Tranquilidade é coisa que por aqui não falta, de tal forma que até os riscos dos aviões no céu se fazem notar. Lembram-me viagens, novos destinos, alimentam-me a vontade de tudo conhecer. Desenham-se algumas metrópoles, mas o pensamento, obstinado, persiste em transportar-me até aos Andes, ao reino do condor, aliciando-me com a perspectiva de caminhar nos cumes. É apenas um simulacro, eu sei, sempre me atraíram os espaços mais ou menos livres, em que, facilmente, somos confrontados com a nossa essência. E já poucos restam.
Os gatos, guardando a distância necessária para albergarem estatuto independente, já não interferem com a horta. Procuram, aqui e ali, um ratito do campo ou um pássaro desprevenido, mas não parecem muito empenhados. Os cães da vizinhança resguardam-se, silenciosamente, do sol, como que sentindo que não é a hora deles. As borboletas, pelo contrário, esvoaçam com vivacidade, poisando, amiúde, para depositar os ovos numa qualquer planta. A passarada, após o matinal concerto, recolheu, sensatamente, a refúgio seguro. Apenas os pardais, numa azáfama constante, não se coíbem de debicar aqui, debicar ali, enquanto uma ou outra andorinha persiste na construção do ninho.
Manhãs de sábado, eterno depósito abastecedor do meu respirar.
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