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Margarida Cepêda, Painel A Lua Nova
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Os ciclos repetem-se, mas a memória teima em não os acompanhar. Queres tudo, não queres recuar, pareces ter esquecido a química da harmonia. E pões a mão no peito.
Quando, por fim, começas a vislumbrar para lá das cinzas, sentes uma espécie de calor, a redescoberta da esperança. E isso alimenta.
Recomeças o tactear, recomeças a construção. Desta vez com mais lastro, mas, não por acaso, com menos certezas. Estás a aprender a cozinhar, lentamente, na tua caixa negra, nacos de convicção com essência de humildade. E aguardas.
Se um brilho surgir, não te deslumbres, os fogachos são da nossa condição. A honra está em prosseguir, para lá do efémero, mesmo que os muros pareçam ofuscar toda a luz.
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