quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

DIÁRIO - 1

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Lá fora caiu neve, qual eterna magia, mas esfumou-se, ao contrário do frio. A intensidade não foi muita, é certo, mas foi a suficiente para, por momentos, me desconfinar, sentir a linguagem do silêncio, pejada duma enorme tranquilidade, enquanto observava as árvores. Foi bom, mas breve. Talvez seja melhor assim, até porque um dos limoeiros novos, plantado com todo o carinho, parece ter ficado em risco.
Entretanto o frio continua, solicitando contínuo aquecimento, em simultâneo com a desfaçatez dum candidato presidencial que, de olho vivo, tudo aproveita para soprar ao ouvido os incómodos óbvios da vida, escolhidos a dedo, qual diabrete irreverente que tudo faz para dar nas vistas, enquanto se ri a bandeiras despregadas com a angústia das vítimas, incapazes de perceber a armadilha dum pretenso abraço envenenado. E, quanto maior o sorriso, maior a desgraça. Ah, pobre Portugal!
Lá fora, aparentemente indiferente a tudo, o cão teima em reivindicar companhia para as suas brincadeiras. Sem se aperceber, e sempre fiel à sua simplicidade de ver as coisas, acaba sempre por desencantar sorrisos nos reivindicados. Valha-nos isso.
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6 comentários:

  1. Eu faço eco das suas palavras "Ah, pobre Portugal!" e de seguida, recolho-me ao calor emprestado pelo aquecedor, ali ao lado.

    Boa noite, sô AC

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  2. Ainda bem que encontramos, fora da política desprezível (o que vejo por aqui), a natureza e ocorrências simples, capazes de nos distrair o olhar. Abraço.

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  3. Adoro ver nevar. Não gosto do gelo no vidro do carro de manhã, lol
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
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    Abraço

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  4. Li o texto, pensando que a política é como um cesto de maçãs. Há sempre algumas podres.
    Abraço e saúde.

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  5. Ontem, vendo notícias sobre a nevasca na Espanha, pensei: estará acontecendo algo parecido em Portugal, a despeito da quase onipresença do Atlântico? Este post trouxe a resposta. Trate de apreciar o frio. Por aqui está um calor terrível.

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  6. Uma nova tentativa de conter esta maldita pandemia.
    Até haver a chamada imunidade de grupo vai ser muito assim.
    Aquele abraço

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