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domingo, 16 de agosto de 2020
BICHOS
sábado, 15 de agosto de 2020
PARA LÁ DA TRANSPARÊNCIA
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Margarida Cepêda, Transparente
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Não tinham filtro, como quem respira à flor da pele. Corriam com vontade de abraçar a vida, sorriam com a naturalidade dos dias, transpiravam na azáfama de serem felizes. Sem o saberem, com tudo tão natural, eram mesmo.
Perante tanta cor, tanto movimento, e com novas configurações a acenarem para lá do horizonte, queriam mais, e mais, e mais. Em suma, queriam crescer. Ainda não sabiam que, quanto mais queriam, mais defesas teriam que criar, vendendo a espontaneidade. Ser adulto, iriam sabê-lo depois, ia muito para lá da transparência dos primeiros dias. Conservá-la, ainda que com novas cambiantes, fazia parte dum novo desafio. Ou tinham força para sustentar a verdadeira essência, sabendo ultrapassar os medos, ou desciam no próximo apeadeiro. Sem dramas, se cada um souber qual o seu lugar. É então que começa a verdadeira luta.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2020
MULTIDÕES E MINORIAS, SAGRADO E INSANO
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segunda-feira, 3 de agosto de 2020
ROSA
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Numa manhã orvalhada, parecida com muitas outras manhãs, um raio de sol deu brilho às gotas que escorriam, vagarosamente, das pétalas duma rosa, perdida entre as ervas dum qualquer jardim, como que a acenar com a revelação dos mais delicados segredos, promessa de mil e um encantamentos. Olhei, fascinado, quase não respirando. Ousei aproximar-me. Desviei as ervas, com cuidado, mas não o suficiente: um espinho pintalgou-me um dedo de vermelho, como que a alertar-me para a delicadeza da flor. Mas o perfume, ah, o perfume...!
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sábado, 25 de julho de 2020
ESBOÇO DE TELA EM DISCRETAS TONALIDADES
Para a Graça Pires
quarta-feira, 22 de julho de 2020
terça-feira, 21 de julho de 2020
TEMPO SEM TEMPO
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Voltemos à chuva benfazeja, permitam que me centre na minha horta. Ela sofreu, há tempos, um forte revés, mas, a pouco e pouco, começou a renascer, produzindo tomates, curgetes, pepinos, alfaces, cebolas, pimentos... Como em tudo, há que dar tempo ao tempo. E o gozo que me dá, depois da rega, colher esta ou aquela espécie para abastecer a cozinha!
Infelizmente, vivemos num tempo em que todos parecem querer tudo para hoje, olvidando as memórias, individuais e colectivas, de como se chegou até aqui. E exigimos, exigimos cada vez mais, como se tudo viesse dum saco sem fundo.
Agradeço aos deuses a chuva retemperadora, propícia a uma pequena pausa, mas ela não esbate a evidência: olhar para o nosso ego, continuamente, sem nos preocuparmos com a visão e o bem-estar dos outros, vai acabar por dar cabo de nós, sejamos bons ou maus. Sem excepção.
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sexta-feira, 17 de julho de 2020
O GRITO
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