.
É uma formiguinha peculiar. Não daquelas inoportunas, que aparecem quando menos se espera, mas das que sabem ocupar o seu lugar. E labutam, labutam, sabendo bem ao que andam.
As andorinhas já ensaiam voos de despedida, facto que não escapa ao olhar atento e sensível da nossa formiguinha. Ela sabe que tudo tem o seu ritmo, o seu equilíbrio, até a forma como andamos, como acenamos para os outros. E, fiel a este princípio, tudo faz para que a sua azáfama não caia em saco roto. Foi por isso que, de forma discreta, mobilizou quem tinha que mobilizar, de modo a que, no início deste ano lectivo, a sua escola tivesse um telhado novo. Já chegava de infiltrações da água da chuva. Valeu, e muito, que este ano há eleições autárquicas.
Na sala da nossa formiguinha tudo tem um propósito. Para além das aprendizagens curriculares, a postura, a forma de estar e o olhar circundante são muito importantes. E, dia após dia, com os alunos, reunião após reunião, com os pais, ela insiste que, para se estar preparado para a vida, não basta debitar este ou aquele programa. É preciso ir mais longe, investir nas pessoas, fazer delas melhores seres, a cada dia que passa, possibilitar que tenham um olhar global do mundo que as rodeia. E, nesta azáfama, a formiguinha nunca se cansa: corrige, indica novos caminhos, cultiva o gosto pela leitura, pela experimentação, pelo respeito pelo outro. Não que espere alguma recompensa, que, se tal coisa houver, apenas a podemos encontrar na satisfação do dever cumprido, mas porque sente, dentro de si, que o bem carece de ser cultivado, não nasce de geração espontânea.
Visitei-a ontem, no seu local de trabalho, e o seu olhar brilhante não engana. Com esta formiguinha podemos contar, pois tem o coração em ligação directa com os olhos e com a alma.
.
.



